Estrutura de campanhas no Amazon Ads: o guia definitivo
A fundação do PPC na Amazon: o espectro de granularidade, as 4 estruturas de campanha, nomenclatura, match types, harvesting com critério e negativas por irrelevância — o sistema completo, adaptado ao Brasil.

Estrutura de campanha é a fundação de todo o resto no Amazon Ads. Acerte, e cada otimização que você fizer depois — lances, segmentação, orçamento — fica mais fácil e mais eficaz. Erre, e você vai passar meses caçando problemas de performance que, na verdade, são problemas de estrutura.
Este é um tema com muita opinião solta e pouco método. Este guia é o método: o sistema completo de como montar a estrutura de campanhas na Amazon, do modelo mental às não-negociáveis, adaptado à realidade de quem anuncia no Brasil.
Não existe uma única estrutura "certa". Existe a estrutura certa para a sua conta — e a habilidade de diagnosticar o contexto e escolher qual usar. Este guia te dá esse repertório.
Por que a estrutura é a fundação de tudo
Antes de qualquer coisa, um modelo mental que resolve 80% das dúvidas de estrutura. Cada nível da campanha tem uma função distinta:
É onde ficam orçamento, placements (topo da busca, página de produto, resto da busca) e a estratégia de lance dinâmico.
É onde vive a relação produto ↔ palavra-chave, o lance por palavra e as negativas no nível do grupo.
É o produto que determina taxa de conversão, receita por clique e relevância. Dois produtos diferentes precisam de lances diferentes.
E por que a Amazon organiza tudo assim? Porque ela persegue dois objetivos ao mesmo tempo: entregar a melhor experiência para o comprador (produto certo, preço certo, na frente da busca) e maximizar a própria receita (publicidade é uma das maiores fontes de receita da Amazon). A sua estrutura tem que jogar a favor dos dois.
O espectro da granularidade
Toda decisão de estrutura é um equilíbrio entre controle e simplicidade. De um lado, agregação total (tudo junto numa campanha só). Do outro, segmentação total (uma campanha por palavra). Nenhum dos extremos é o ideal.
O ponto ideal para 80–90% das contas é um produto por grupo de anúncios (SPAG). Só adicione granularidade quando os dados, o orçamento e a sua capacidade de gestão justificarem.
Do lado esquerdo você ganha simplicidade e perde controle: não dá para saber qual produto converteu em qual busca. Do lado direito você ganha controle absoluto e perde a capacidade de gerenciar — vira administrativamente inviável. O jogo é achar o ponto certo para a sua capacidade de gestão.
Um produto por grupo de anúncios (SPAG) é o mínimo aceitável — a base para a grande maioria das contas. Tudo acima disso é complexidade opcional, adicionada só onde os dados pedem.
As quatro estruturas de campanha
Existem quatro arquiteturas. A habilidade não é casar com uma; é saber qual usar em cada contexto.
| Estrutura | Melhor para | Controle | Complexidade |
|---|---|---|---|
| Vários produtos por grupo (MPAG) | Contas simples, testes | Baixo | Mínima |
| Um produto por grupo (SPAG) | 80–90% das contas | Alto | Moderada |
| Uma campanha por produto | Poucos produtos, gasto alto | Muito alto | Alta |
| Uma campanha por palavra | Palavras VIP de ranqueamento | Máximo | Muito alta |
As duas primeiras são as que você mais vai usar no dia a dia — e a diferença entre elas é o maior salto de performance que existe. Vale entender cada uma com calma. Antes, duas siglas: MPAG vem de Multiple Product Ad Groups (vários produtos por grupo de anúncios) e SPAG de Single Product Ad Group (um produto por grupo de anúncios). O conceito é consenso de mercado — não é um método proprietário de ninguém.
MPAG — vários produtos por grupo de anúncios
Uma campanha, um único grupo de anúncios e vários produtos disputando as mesmas palavras com o mesmo lance. É o jeito mais simples de montar — e o que mais esconde informação:
Por que o MPAG falha: você perde a correlação produto ↔ palavra (não sabe qual produto converteu em qual busca), a receita por clique varia demais entre produtos (uma garrafa de R$ 30 e outra de R$ 300 precisam de lances diferentes, mas aqui o lance é um só), e só um anúncio aparece por busca — com três produtos no mesmo grupo, só um leva a vez.
SPAG — um produto por grupo de anúncios
A mesma campanha, mas agora cada produto (ou variação) no seu próprio grupo de anúncios, com suas próprias palavras e seus próprios lances. Todas as variações ainda podem dar lance nas mesmas palavras — cada uma com o lance que a sua performance justifica:
Sair de MPAG (vários produtos por grupo) para SPAG (um produto por grupo) é o maior salto de performance e controle que você vai sentir. Agora dá para ver qual produto converte em qual palavra, dar o lance certo para cada um, negativar num produto sem afetar os outros — e mais de uma variação pode aparecer na mesma busca. Todo o resto é extensão incremental do mesmo princípio.
Faça isso quando tiver menos de ~50 produtos, precisar de teto de orçamento por produto, ou tiver itens com performance de placement muito diferente. Em catálogos gigantes, uma campanha por produto vira milhões de campanhas — administrativamente impossível. Combine complexidade com capacidade de gestão.
Nomenclatura: a infraestrutura invisível
Nome de campanha não é decoração — é infraestrutura. Um padrão de nomenclatura consistente te deixa fazer relatório, organizar a conta e diagnosticar problemas sem abrir campanha por campanha. Um bom nome carrega:
- Produto (título curto)
- Categoria (opcional)
- ASIN
- Tipo de anúncio (SP, SB, SD)
- Tática (Brand, Non-Brand, Concorrente, Categoria)
- Tipo de segmentação (Automática, Palavra manual, Product Targeting)
- Match type (Broad, Phrase, Exact, PAT)
- Objetivo (Pesquisa, Performance, Lançamento, Defesa)
- ACOS-alvo
Monte o seu padrão agora e copie — use o mesmo formato em toda campanha nova:
Escolha os componentes e copie o nome padronizado.
Na prática, todo termo de busca cai num de três baldes — e cada um vira uma campanha separada:
Buscas que contêm o seu nome de marca. Ex.: "garrafa termopro". Quem busca assim já quer você — converte muito e tem ACOS baixíssimo.
Buscas de categoria, sem nenhum nome de marca. Ex.: "garrafa térmica", "garrafa térmica inox". A pessoa busca pela necessidade, não pela marca. É aqui que está a briga de verdade — e o maior volume.
Buscas com o nome de outra marca. Ex.: "garrafa [marca concorrente]". Você tenta conquistar o cliente do rival na página dele.
Se você não separa esses baldes, você está destruindo os seus dados. Palavras de marca convertem muito mais e têm ACOS baixíssimo; misturadas nas campanhas de não-marca, elas inflam a métrica e escondem a performance real do genérico — que é onde a decisão importa. Separe os três, negative os seus próprios termos de marca das campanhas de não-marca, e audite os relatórios de termos de busca atrás de vazamento de marca.
Match types: o dial de segmentação
Os tipos de correspondência (match types) controlam a especificidade da segmentação. Cada um se comporta diferente, gera termos de busca diferentes e pede uma estratégia de lance diferente. Misturá-los na mesma campanha te obriga a viver de compromisso.
| Match type | Comportamento | Exemplo | Dispara em |
|---|---|---|---|
| Broad (ampla) | A rede mais larga: sinônimos, erros de digitação, ordem trocada | garrafa térmica | "garrafa termica inox", "melhor garrafa térmica 2026", "copo térmico" |
| Phrase (frase) | Mantém a frase na ordem; permite palavras antes e depois | "garrafa térmica" | "melhor garrafa térmica para academia", "garrafa térmica promoção" |
| Exact (exata) | Maior taxa de conversão, menor volume | [garrafa térmica] | "garrafa térmica", "garrafas térmicas" |
| PAT (por produto) | Mira ASINs específicos; aparece na página do produto e nas buscas onde o ASIN ranqueia | ASIN B07XYZ | página do concorrente, resultados onde o ASIN aparece |
Segmentar campanhas por match type é uma das decisões estruturais de maior alavancagem que existem. Broad precisa de lance flexível para descobrir; exata precisa de precisão. Juntas, uma sempre atrapalha a outra.
O padrão mínimo: mantenha broad, phrase e exact em campanhas separadas. Isso permite orçamento diferente para pesquisa e para performance, modificadores de placement diferentes, e otimizar o lance de um match type sem arrastar o outro junto.
Harvesting: colher palavras com critério
"Harvesting" é achar os termos de busca que convertem nas campanhas amplas e mover para campanhas dirigidas, onde você controla lance e orçamento com precisão. O funil:
O erro número 1 aqui é colher demais, não de menos. A maioria das contas coleta agressivo demais e enche a conta de palavras que nunca mais vão ser buscadas.
Inchaço de baixo volume: termos de um clique, uma venda, que ninguém busca de novo — você acaba com milhares de palavras de 0 a 1 clique por mês. Vendas coincidentais: alguém buscou "banana" e comprou pasta de amendoim; não vira alvo "banana". Halo de marca: o clique no Produto A levou à compra do Produto B; a palavra não é relevante para A. Morte por mil cortes: o sistema de lances sobe o lance de palavras de baixa impressão, empurrando os CPCs para cima no conjunto.
Exija 2 pedidos no mínimo antes de colher. Dois pedidos reduzem drasticamente a venda coincidental e confirmam que existe volume de busca. Confira também: foi o próprio produto (mesmo SKU) que vendeu? O termo é mesmo relevante? Tem volume de verdade?
A intuição diz "achei a palavra vencedora, tiro da automática". Não tire. A campanha fonte costuma ganhar o mesmo termo com CPC mais barato, e dois placements ao mesmo tempo = mais presença. O leilão da Amazon é por conta: ter a mesma palavra em várias campanhas não sobe o seu próprio CPC. Só negative da fonte sob restrição extrema de orçamento.
Estrutura boa só compensa se der lucro — e você precisa enxergar isso
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Conhecer o Radar Analytics →Palavras negativas: cortar a gordura
Se over-harvesting é ruim, over-negativar é pior. Três erros clássicos destroem contas:
Se a palavra tem ACOS, é porque teve venda — ela funciona. ACOS alto quase sempre é problema de lance, não de palavra. Baixe o lance, não corte o termo.
O limite de "gastou muito" costuma estar errado. Um produto de R$ 60 com ACOS-alvo de 50% tem CPA-alvo de R$ 30 — não um valor arbitrário. O termo pode ser relevante; falta ajustar o lance.
Se o produto precisa de 10 cliques para vender e a palavra teve 3 sem venda, ela não falhou — só não teve tentativas suficientes. Negativar em massa aqui é o mais destrutivo dos três.
O único critério para negativar um termo de busca é que ele seja irrelevante. Se é relevante, otimize o lance. Se é irrelevante, negative. É o framework inteiro.
Negative com foco em termos que têm volume (gênero errado, material errado, categoria errada). Termos de um clique só não precisam de negativa — nunca mais serão buscados. E escolha o tipo certo: negativo exato bloqueia só aquele termo específico; negativo frase bloqueia qualquer busca que contenha aquela expressão (use quando um tema inteiro é irrelevante — ex.: negativo frase "inox" quando você só vende plástico).
A análise de n-gram quebra cada termo de busca em palavras individuais e soma a performance de cada palavra em todas as buscas. Um exemplo real: vendendo produtos de silicone, cada busca com "inox" custava centavos — nenhuma sozinha chamava atenção. Mas somadas, todas as buscas com "inox" desperdiçavam centenas de reais. Um único negativo frase ("inox") em todas as campanhas derrubou o ACOS em dois pontos percentuais. Rode no onboarding, depois mensal nos primeiros meses, depois trimestral.
O mito das "poucas palavras = mais impressões"
Existe uma teoria da conspiração persistente: a de que a Amazon limita as impressões se você tem muitas palavras por campanha, e que dividir tudo aumenta as impressões. Testes mostram que isso é falso — dividir campanhas não gera crescimento de impressões nem de cliques por si só.
A lógica não fecha do lado da Amazon: 25 palavras com R$ 100 de orçamento significam "me cobre pelos cliques nessas 25 palavras"; 100 palavras com o mesmo orçamento significam "me cobre por cliques em qualquer uma dessas 100". Por que a Amazon daria menos impressões quando você oferece mais oportunidades de cobrança?
O que realmente acontece quando alguém divide e "melhora": normalmente resetou orçamentos (cada campanha nova ganhou R$ 10–20 a mais) ou corrigiu sem querer um problema de lance ou placement. Correlação não é causa. As razões reais de uma palavra ficar sem impressão são: lance baixo demais, orçamento esgotado cedo, volume de busca baixo, ou relevância baixa aos olhos do algoritmo.
Campanhas de palavra única existem — mas como ferramenta cirúrgica de ranqueamento, não como estrutura padrão. Fazem sentido para uma palavra de alto volume e alta importância que precisa de teto de orçamento e controle de lance próprios (ex.: 5 produtos, gasto alto, nicho hipercompetitivo). Para milhares de produtos, seja muito seletivo.
O playbook: a rotina que sustenta tudo
Estrutura sem otimização consistente não vale nada. Um stack padrão por produto costuma ter 4 a 5 campanhas com papéis distintos:
| # | Campanha | Papel | Match types |
|---|---|---|---|
| 1 | Automática | Descobrir palavras e ASINs | Loose, Close, Substitutes, Complements |
| 2 | Manual de pesquisa | Expandir a descoberta | Broad + Phrase |
| 3 | Manual exata | Maximizar os convertedores provados | Exact |
| 4 | Product Targeting | Conquistar concorrentes e cross-sell | ASINs-alvo |
| 5 | Defesa de marca | Proteger os termos da sua marca | Exact (marca) |
E uma cadência semanal simples mantém a máquina rodando:
| Dia | Foco |
|---|---|
| Segunda | Otimização de lances (7–30 dias de dados) |
| Terça | Revisão de termos de busca (candidatos a colher e a negativar) |
| Quarta | Harvesting e negativas (montar as planilhas em massa e aplicar) |
| Quinta | Orçamento e placement (campanhas limitadas por orçamento, modificadores) |
| Sexta | Relatório e estratégia (tendência de TACOS, ACOS por tática) |
Por cima de tudo, existe um ritmo de "bulking e cutting": fases de bulking (adicionar palavras, lançar campanhas, subir lances, expandir — ACOS mais alto porque você está coletando dados) alternadas com fases de cutting (otimizar lances, negativar irrelevância, pausar o que não anda, apertar orçamento — ACOS cai). Oscilar entre as duas é como se escala uma conta de forma sustentável.
Estrutura de campanha não é um mistério. É um sistema. Domine o sistema e você navega qualquer conta — diagnostica, entende as restrições e monta a estrutura certa para aquele contexto.
Guarde as não-negociáveis — o que não muda, independentemente da conta:
- Um produto por grupo de anúncios, no mínimo. Todo o resto é complexidade opcional.
- Separe marca, não-marca e concorrente. A integridade dos dados depende disso.
- Colha com critério, não por impulso: 2 pedidos, mesmo SKU, relevância confirmada.
- Negative irrelevância, não performance ruim. Caro mas relevante? Ajuste o lance.
- Lance bom cobre uma multidão de pecados. Antes de reestruturar, cheque se o problema não é só lance ruim.
- Nomeie tudo de forma consistente. O seu "eu do futuro" agradece.
- Case a complexidade com a sua capacidade. A melhor estrutura que você não consegue gerenciar é pior que a estrutura simples que você consegue.
Feche o ciclo: da estrutura ao lucro real
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"Creio em Deus. Para o resto, confio em dados."
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