Estrutura de campanhas no Amazon Ads: o guia definitivo

A fundação do PPC na Amazon: o espectro de granularidade, as 4 estruturas de campanha, nomenclatura, match types, harvesting com critério e negativas por irrelevância — o sistema completo, adaptado ao Brasil.

30 min de leitura· 9 partes· Radar Analytics
Raphael França
Raphael França
Fundador do Radar Scout
30 min de leitura
Atualizado em 24 de julho de 2026

Estrutura de campanha é a fundação de todo o resto no Amazon Ads. Acerte, e cada otimização que você fizer depois — lances, segmentação, orçamento — fica mais fácil e mais eficaz. Erre, e você vai passar meses caçando problemas de performance que, na verdade, são problemas de estrutura.

Este é um tema com muita opinião solta e pouco método. Este guia é o método: o sistema completo de como montar a estrutura de campanhas na Amazon, do modelo mental às não-negociáveis, adaptado à realidade de quem anuncia no Brasil.

Não existe uma única estrutura "certa". Existe a estrutura certa para a sua conta — e a habilidade de diagnosticar o contexto e escolher qual usar. Este guia te dá esse repertório.

Introdução

Por que a estrutura é a fundação de tudo

Antes de qualquer coisa, um modelo mental que resolve 80% das dúvidas de estrutura. Cada nível da campanha tem uma função distinta:

Campanha tem configurações

É onde ficam orçamento, placements (topo da busca, página de produto, resto da busca) e a estratégia de lance dinâmico.

Grupo de anúncios tem segmentação

É onde vive a relação produto ↔ palavra-chave, o lance por palavra e as negativas no nível do grupo.

Produto tem performance

É o produto que determina taxa de conversão, receita por clique e relevância. Dois produtos diferentes precisam de lances diferentes.

E por que a Amazon organiza tudo assim? Porque ela persegue dois objetivos ao mesmo tempo: entregar a melhor experiência para o comprador (produto certo, preço certo, na frente da busca) e maximizar a própria receita (publicidade é uma das maiores fontes de receita da Amazon). A sua estrutura tem que jogar a favor dos dois.

O espectro

O espectro da granularidade

Toda decisão de estrutura é um equilíbrio entre controle e simplicidade. De um lado, agregação total (tudo junto numa campanha só). Do outro, segmentação total (uma campanha por palavra). Nenhum dos extremos é o ideal.

Agregação totalPonto ideal (SPAG)Segmentação total

O ponto ideal para 80–90% das contas é um produto por grupo de anúncios (SPAG). Só adicione granularidade quando os dados, o orçamento e a sua capacidade de gestão justificarem.

Do lado esquerdo você ganha simplicidade e perde controle: não dá para saber qual produto converteu em qual busca. Do lado direito você ganha controle absoluto e perde a capacidade de gerenciar — vira administrativamente inviável. O jogo é achar o ponto certo para a sua capacidade de gestão.

Um produto por grupo de anúncios (SPAG) é o mínimo aceitável — a base para a grande maioria das contas. Tudo acima disso é complexidade opcional, adicionada só onde os dados pedem.

As estruturas

As quatro estruturas de campanha

Existem quatro arquiteturas. A habilidade não é casar com uma; é saber qual usar em cada contexto.

EstruturaMelhor paraControleComplexidade
Vários produtos por grupo (MPAG)Contas simples, testesBaixoMínima
Um produto por grupo (SPAG)80–90% das contasAltoModerada
Uma campanha por produtoPoucos produtos, gasto altoMuito altoAlta
Uma campanha por palavraPalavras VIP de ranqueamentoMáximoMuito alta

As duas primeiras são as que você mais vai usar no dia a dia — e a diferença entre elas é o maior salto de performance que existe. Vale entender cada uma com calma. Antes, duas siglas: MPAG vem de Multiple Product Ad Groups (vários produtos por grupo de anúncios) e SPAG de Single Product Ad Group (um produto por grupo de anúncios). O conceito é consenso de mercado — não é um método proprietário de ninguém.

MPAG — vários produtos por grupo de anúncios

Uma campanha, um único grupo de anúncios e vários produtos disputando as mesmas palavras com o mesmo lance. É o jeito mais simples de montar — e o que mais esconde informação:

📦 Campanha: Garrafas Térmicas · SP · ManualOrçamento: R$ 50/dia
🗂️ Um grupo só, com 3 produtos juntosmesmas palavras e o mesmo lance para todos
🧴 Garrafa 500ml + 🧴 750ml + 🧴 1L (juntas)
🔑 garrafa térmica · R$ 1,00 — igual para as três

Por que o MPAG falha: você perde a correlação produto ↔ palavra (não sabe qual produto converteu em qual busca), a receita por clique varia demais entre produtos (uma garrafa de R$ 30 e outra de R$ 300 precisam de lances diferentes, mas aqui o lance é um só), e só um anúncio aparece por busca — com três produtos no mesmo grupo, só um leva a vez.

SPAG — um produto por grupo de anúncios

A mesma campanha, mas agora cada produto (ou variação) no seu próprio grupo de anúncios, com suas próprias palavras e seus próprios lances. Todas as variações ainda podem dar lance nas mesmas palavras — cada uma com o lance que a sua performance justifica:

📦 Campanha: Garrafa Térmica · SP · Non-Brand · ManualOrçamento: R$ 50/dia · Placement: +40% topo da busca
🔹 Grupo 1: Garrafa 500ml (preta)ASIN B0AA1 — lances próprios
🔑 garrafa térmica · R$ 1,20
🔑 garrafa térmica inox · R$ 0,95
🔹 Grupo 2: Garrafa 750ml (azul)ASIN B0AA2 — lances próprios
🔑 garrafa térmica · R$ 0,90
🔑 garrafa térmica 1 litro · R$ 1,10

Sair de MPAG (vários produtos por grupo) para SPAG (um produto por grupo) é o maior salto de performance e controle que você vai sentir. Agora dá para ver qual produto converte em qual palavra, dar o lance certo para cada um, negativar num produto sem afetar os outros — e mais de uma variação pode aparecer na mesma busca. Todo o resto é extensão incremental do mesmo princípio.

Quando subir para 'uma campanha por produto'

Faça isso quando tiver menos de ~50 produtos, precisar de teto de orçamento por produto, ou tiver itens com performance de placement muito diferente. Em catálogos gigantes, uma campanha por produto vira milhões de campanhas — administrativamente impossível. Combine complexidade com capacidade de gestão.

Nomenclatura

Nomenclatura: a infraestrutura invisível

Nome de campanha não é decoração — é infraestrutura. Um padrão de nomenclatura consistente te deixa fazer relatório, organizar a conta e diagnosticar problemas sem abrir campanha por campanha. Um bom nome carrega:

Monte o seu padrão agora e copie — use o mesmo formato em toda campanha nova:

Montador de nome de campanha

Escolha os componentes e copie o nome padronizado.

Ferramenta interativa (carrega no navegador)

Na prática, todo termo de busca cai num de três baldes — e cada um vira uma campanha separada:

Marca (a sua)

Buscas que contêm o seu nome de marca. Ex.: "garrafa termopro". Quem busca assim já quer você — converte muito e tem ACOS baixíssimo.

Não-marca (genérico)

Buscas de categoria, sem nenhum nome de marca. Ex.: "garrafa térmica", "garrafa térmica inox". A pessoa busca pela necessidade, não pela marca. É aqui que está a briga de verdade — e o maior volume.

Concorrente

Buscas com o nome de outra marca. Ex.: "garrafa [marca concorrente]". Você tenta conquistar o cliente do rival na página dele.

Separe marca de não-marca — sempre

Se você não separa esses baldes, você está destruindo os seus dados. Palavras de marca convertem muito mais e têm ACOS baixíssimo; misturadas nas campanhas de não-marca, elas inflam a métrica e escondem a performance real do genérico — que é onde a decisão importa. Separe os três, negative os seus próprios termos de marca das campanhas de não-marca, e audite os relatórios de termos de busca atrás de vazamento de marca.

Match types

Match types: o dial de segmentação

Os tipos de correspondência (match types) controlam a especificidade da segmentação. Cada um se comporta diferente, gera termos de busca diferentes e pede uma estratégia de lance diferente. Misturá-los na mesma campanha te obriga a viver de compromisso.

Match typeComportamentoExemploDispara em
Broad (ampla)A rede mais larga: sinônimos, erros de digitação, ordem trocadagarrafa térmica"garrafa termica inox", "melhor garrafa térmica 2026", "copo térmico"
Phrase (frase)Mantém a frase na ordem; permite palavras antes e depois"garrafa térmica""melhor garrafa térmica para academia", "garrafa térmica promoção"
Exact (exata)Maior taxa de conversão, menor volume[garrafa térmica]"garrafa térmica", "garrafas térmicas"
PAT (por produto)Mira ASINs específicos; aparece na página do produto e nas buscas onde o ASIN ranqueiaASIN B07XYZpágina do concorrente, resultados onde o ASIN aparece

Segmentar campanhas por match type é uma das decisões estruturais de maior alavancagem que existem. Broad precisa de lance flexível para descobrir; exata precisa de precisão. Juntas, uma sempre atrapalha a outra.

O padrão mínimo: mantenha broad, phrase e exact em campanhas separadas. Isso permite orçamento diferente para pesquisa e para performance, modificadores de placement diferentes, e otimizar o lance de um match type sem arrastar o outro junto.

Harvesting

Harvesting: colher palavras com critério

"Harvesting" é achar os termos de busca que convertem nas campanhas amplas e mover para campanhas dirigidas, onde você controla lance e orçamento com precisão. O funil:

🔍 CAMPANHAS FONTE
Automática + broad/phrase: lançam a rede para descobrir termos e ASINs
Automática
A rede mais ampla — descobre buscas e ASINs que convertem
Broad / Phrase (manual)
Pesquisa um pouco mais dirigida, acha variações de cauda longa
⬇ Colher o que bate o critério: 2+ pedidos, relevante, com volume
🎯 CAMPANHAS DESTINO
Exata + product targeting: onde o que já provou vira performance

O erro número 1 aqui é colher demais, não de menos. A maioria das contas coleta agressivo demais e enche a conta de palavras que nunca mais vão ser buscadas.

Os quatro venenos do over-harvesting

Inchaço de baixo volume: termos de um clique, uma venda, que ninguém busca de novo — você acaba com milhares de palavras de 0 a 1 clique por mês. Vendas coincidentais: alguém buscou "banana" e comprou pasta de amendoim; não vira alvo "banana". Halo de marca: o clique no Produto A levou à compra do Produto B; a palavra não é relevante para A. Morte por mil cortes: o sistema de lances sobe o lance de palavras de baixa impressão, empurrando os CPCs para cima no conjunto.

Exija 2 pedidos no mínimo antes de colher. Dois pedidos reduzem drasticamente a venda coincidental e confirmam que existe volume de busca. Confira também: foi o próprio produto (mesmo SKU) que vendeu? O termo é mesmo relevante? Tem volume de verdade?

Não negative o termo colhido da campanha fonte

A intuição diz "achei a palavra vencedora, tiro da automática". Não tire. A campanha fonte costuma ganhar o mesmo termo com CPC mais barato, e dois placements ao mesmo tempo = mais presença. O leilão da Amazon é por conta: ter a mesma palavra em várias campanhas não sobe o seu próprio CPC. Só negative da fonte sob restrição extrema de orçamento.

✦ FERRAMENTA RADAR

Estrutura boa só compensa se der lucro — e você precisa enxergar isso

O Radar Analytics concilia tarifas e repasses da Amazon e mostra o lucro real e a margem de contribuição por produto — o número que diz se toda essa estrutura de campanha está gerando resultado de verdade. Conheça a ferramenta.

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Negativas

Palavras negativas: cortar a gordura

Se over-harvesting é ruim, over-negativar é pior. Três erros clássicos destroem contas:

Negativar ACOS alto

Se a palavra tem ACOS, é porque teve venda — ela funciona. ACOS alto quase sempre é problema de lance, não de palavra. Baixe o lance, não corte o termo.

Negativar 'gastou e não vendeu'

O limite de "gastou muito" costuma estar errado. Um produto de R$ 60 com ACOS-alvo de 50% tem CPA-alvo de R$ 30 — não um valor arbitrário. O termo pode ser relevante; falta ajustar o lance.

Negativar tudo sem venda

Se o produto precisa de 10 cliques para vender e a palavra teve 3 sem venda, ela não falhou — só não teve tentativas suficientes. Negativar em massa aqui é o mais destrutivo dos três.

O único critério para negativar um termo de busca é que ele seja irrelevante. Se é relevante, otimize o lance. Se é irrelevante, negative. É o framework inteiro.

Negative com foco em termos que têm volume (gênero errado, material errado, categoria errada). Termos de um clique só não precisam de negativa — nunca mais serão buscados. E escolha o tipo certo: negativo exato bloqueia só aquele termo específico; negativo frase bloqueia qualquer busca que contenha aquela expressão (use quando um tema inteiro é irrelevante — ex.: negativo frase "inox" quando você só vende plástico).

N-gram: a ferramenta que revela o invisível

A análise de n-gram quebra cada termo de busca em palavras individuais e soma a performance de cada palavra em todas as buscas. Um exemplo real: vendendo produtos de silicone, cada busca com "inox" custava centavos — nenhuma sozinha chamava atenção. Mas somadas, todas as buscas com "inox" desperdiçavam centenas de reais. Um único negativo frase ("inox") em todas as campanhas derrubou o ACOS em dois pontos percentuais. Rode no onboarding, depois mensal nos primeiros meses, depois trimestral.

Os mitos

O mito das "poucas palavras = mais impressões"

Existe uma teoria da conspiração persistente: a de que a Amazon limita as impressões se você tem muitas palavras por campanha, e que dividir tudo aumenta as impressões. Testes mostram que isso é falso — dividir campanhas não gera crescimento de impressões nem de cliques por si só.

A lógica não fecha do lado da Amazon: 25 palavras com R$ 100 de orçamento significam "me cobre pelos cliques nessas 25 palavras"; 100 palavras com o mesmo orçamento significam "me cobre por cliques em qualquer uma dessas 100". Por que a Amazon daria menos impressões quando você oferece mais oportunidades de cobrança?

O que realmente acontece quando alguém divide e "melhora": normalmente resetou orçamentos (cada campanha nova ganhou R$ 10–20 a mais) ou corrigiu sem querer um problema de lance ou placement. Correlação não é causa. As razões reais de uma palavra ficar sem impressão são: lance baixo demais, orçamento esgotado cedo, volume de busca baixo, ou relevância baixa aos olhos do algoritmo.

Campanhas de palavra única existem — mas como ferramenta cirúrgica de ranqueamento, não como estrutura padrão. Fazem sentido para uma palavra de alto volume e alta importância que precisa de teto de orçamento e controle de lance próprios (ex.: 5 produtos, gasto alto, nicho hipercompetitivo). Para milhares de produtos, seja muito seletivo.

O playbook

O playbook: a rotina que sustenta tudo

Estrutura sem otimização consistente não vale nada. Um stack padrão por produto costuma ter 4 a 5 campanhas com papéis distintos:

#CampanhaPapelMatch types
1AutomáticaDescobrir palavras e ASINsLoose, Close, Substitutes, Complements
2Manual de pesquisaExpandir a descobertaBroad + Phrase
3Manual exataMaximizar os convertedores provadosExact
4Product TargetingConquistar concorrentes e cross-sellASINs-alvo
5Defesa de marcaProteger os termos da sua marcaExact (marca)

E uma cadência semanal simples mantém a máquina rodando:

DiaFoco
SegundaOtimização de lances (7–30 dias de dados)
TerçaRevisão de termos de busca (candidatos a colher e a negativar)
QuartaHarvesting e negativas (montar as planilhas em massa e aplicar)
QuintaOrçamento e placement (campanhas limitadas por orçamento, modificadores)
SextaRelatório e estratégia (tendência de TACOS, ACOS por tática)

Por cima de tudo, existe um ritmo de "bulking e cutting": fases de bulking (adicionar palavras, lançar campanhas, subir lances, expandir — ACOS mais alto porque você está coletando dados) alternadas com fases de cutting (otimizar lances, negativar irrelevância, pausar o que não anda, apertar orçamento — ACOS cai). Oscilar entre as duas é como se escala uma conta de forma sustentável.

Estrutura de campanha não é um mistério. É um sistema. Domine o sistema e você navega qualquer conta — diagnostica, entende as restrições e monta a estrutura certa para aquele contexto.

Guarde as não-negociáveis — o que não muda, independentemente da conta:

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Feche o ciclo: da estrutura ao lucro real

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Raphael França
Sobre o autor
Raphael França

"Creio em Deus. Para o resto, confio em dados."

Fundei o Radar Scout para ajudar você a iniciar e escalar suas vendas na Amazon.

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